Quando nos mudamos para Jacareí, no início de minha rua, sempre no inverno, depois de perder todas as suas folhas, florescia, majestoso, um enorme ipê rosa. Pessoas paravam para fotografá-lo e para admirá-lo, como ainda param, deslumbrados por tanta beleza. E eu também.
Penso sempre em como a natureza é pródiga em nos presentear gratuitamente com árvores, flores e frutos. E, quantas vezes, passamos por estes milagres sem agradecer, preenchidos pela cegueira que nos invade os olhos, sempre voltados para os problemas do cotidiano. A árvore parece uma estrutura simples, se olhada de relance. Aprendemos que tem raízes, caule, ramos, folhas, flores e frutos.
Mas algumas tem flores sem a promessa de frutos, seguindo apenas o seu destino, que muitos diriam, “sem função…” Mas, e a sombra que oferecem? E a sustentação de tantos ninhos entre seus galhos? E o néctar para as abelhas? E a beleza para os nossos sentidos? E o apoio gratuito para tantas outras plantas, que às vezes as asfixiam? E nós seres humanos , de alma rude, cortamos as árvores apenas para não nos dar ao trabalho de varrer suas folhas mortas, que sim, entopem as frestas de nossos telhados e encobrem a grama dos jardins.
Mas, e a magia da vida que acontece perante nossos olhos? Penso, enquanto bordo meu ipê rosa, em como seria bom o mundo se cada um de nós deixasse enraizar em sua alma a Árvore da Vida, e amasse e entendesse as diferenças que existem entre as árvores e as pessoas e as respeitasse em vez de criticá-las.
Bordo meu ipê e minha alma mergulha em oração, pedindo mais compreensão e compaixão entre os homens de boa vontade.